Pesquisa revela que 93% das crianças e adolescentes brasileiros estão online, muitas vezes sem segurança. Especialistas alertam para riscos à saúde mental, influência da IA e necessidade de ação urgente.
O debate sobre o tempo que as crianças passam diante das telas já ultrapassou a questão das horas conectadas. Hoje, a grande preocupação é o que elas consomem online e como isso impacta seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
A exposição constante a conteúdos superficiais, jogos e redes sociais, impulsionados por algoritmos e mecanismos de recompensa, pode prejudicar cérebros ainda em formação. E não se trata apenas de uma hipótese, os dados são claros e preocupantes.
Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, realizada pelo Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos usam a internet. Deste total, 83% têm perfil em ao menos uma rede social, e 60% das crianças com menos de 10 anos já estão no WhatsApp, Instagram, TikTok ou YouTube.
Apesar disso, 77% dos pais acreditam que seus filhos navegam com segurança, mas apenas 8% reconhecem que houve algum episódio de risco. A desconexão entre percepção e realidade é alarmante. Quase um terço (29%) das crianças já passou por situações ofensivas ou desagradáveis, mas muitas não relatam aos responsáveis.
A preocupação se amplia com o uso crescente da Inteligência Artificial por crianças e adolescentes. Chatbots como ChatGPT e Google Gemini estão sendo usados para aprender, buscar conselhos e até para criar relações emocionais virtuais. O problema? Muitos jovens não questionam a veracidade das informações:
- 51% acreditam que os conselhos da IA são verdadeiros;
- 40% afirmam seguir as orientações sem vergonha;
- 36% não sabem que precisam verificar a informação.
A Unicef alerta que a IA pode ser uma aliada poderosa na educação e promoção de direitos, mas também pode espalhar desinformação e reforçar preconceitos. O órgão defende supervisão humana e regulação responsável para que a tecnologia sirva às crianças, e não o contrário.
No cenário global, a pressão por leis mais rígidas cresce. A Austrália proibiu o uso de redes sociais por menores de 16 anos. No Brasil, o Ministério da Justiça atualizou a classificação indicativa do Instagram, recomendando-o apenas para maiores de 16 anos.
A mensagem é clara: não é sobre limitar o futuro, mas garantir que ele seja saudável e seguro. A infância não pode ser entregue, sem filtros, aos algoritmos.















