Parada há 40 anos, nunca gerou energia e já consumiu mais de R$20 bilhões dos cofres públicos.
Angra 3 é a obra de infraestrutura mais cara e controversa da história recente do Brasil. Iniciada ainda durante a ditadura militar, permanece inconclusa após mais de 40 anos e já custou mais de R$20 bilhões aos cofres públicos, isso sem ter gerado um único megawatt de energia.
Atualmente, a usina está com 65% da obra concluída e tem previsão de entrar em funcionamento a partir de 2028, segundo a Eletronuclear. Quando (e se) for finalizada, Angra 3 funcionará como uma “irmã gêmea” de Angra 2 e será responsável por gerar energia suficiente para suprir cerca de 60% do consumo do estado do Rio de Janeiro.
No entanto, o custo da inércia é imenso: manter a estrutura existente e os equipamentos armazenados custa aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, valor que inclui:
- R$ 800 milhões para pagar financiamentos contratados para a construção da usina;
- R$ 120 milhões para conservar os equipamentos já comprados;
- R$100 milhões para manter os funcionários contratados especificamente para Angra 3.
Esses dados foram apresentados por Raul Lycurgo, diretor-presidente da Eletronuclear, durante uma audiência pública da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, em maio de 2025. O debate, que contou com representantes do setor energético e do governo, buscava soluções para o impasse da obra, paralisada desde 2015.
Em termos de impacto financeiro, o cálculo é amargo: mais de R$20 bilhões já foram investidos, e ainda seriam necessários outros R$20 bilhões para concluir o projeto. A discussão gira em torno de um dilema: seguir adiante ou assumir o prejuízo e abandonar Angra 3 de vez.
A dimensão simbólica da usina também reverbera na cultura brasileira. Em 1987, Renato Russo ironizou o empreendimento na canção “Angra dos Reis”, da Legião Urbana, com versos como “Vamos brincar perto da usina” e “A Angra é dos Reis”. Para o cantor, a usina representava não apenas um risco invisível, mas também uma ilusão de segurança: um símbolo de promessas que nunca se cumprem.
A história da usina também foi marcada por escândalos. Em 2016, durante a Operação Lava Jato, o então presidente da Eletronuclear, vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, foi condenado a 43 anos de prisão, acusado de receber R$4,5 milhões em propinas de empreiteiras envolvidas nas obras. O almirante foi solto e teve condenação reduzida, pouco tempo depois.
O assunto permanece silenciado por anos, sem previsão de solução, apenas consumindo a verba que lhe é de direito (contém ironia). Angra 3 é mais do que uma usina inacabada: é um monumento à burocracia, à corrupção e à má gestão pública, que segue drenando recursos enquanto permanece no papel.














