Em quatro décadas, o país viu 111,7 milhões de hectares de áreas naturais desaparecerem. A nova lei de licenciamento ambiental, sancionada com 63 vetos, tenta conter retrocessos, mas abre brechas que podem acelerar a destruição.
Entre 1985 e 2024, o Brasil devastou 111,7 milhões de hectares de vegetação, 13% do território nacional, segundo o MapBiomas. Um saldo alarmante que expõe um ciclo de avanço do agronegócio sobre florestas, campos e rios, transformando ecossistemas milenares em commodities descartáveis.
As perdas foram avassaladoras: o Cerrado perdeu 40,5 milhões de hectares, a Amazônia 52,1 milhões. O Pantanal viveu um colapso: perdeu 1,7 milhão de hectares e sua área alagada caiu de 24% para 3%. Pampa, Mata Atlântica e Caatinga também registraram perdas dramáticas, acelerando a desertificação e a degradação da biodiversidade.
O agronegócio, impulsionado por falhas na fiscalização e regimes políticos permissivos, foi o motor dessa destruição. Entre 1995 e 2004, a máquina produtiva eliminou 44,8 milhões de hectares, enquanto pastagens e agricultura expandiram como nunca.
O impacto é incalculável: da alteração do ciclo hídrico ao desaparecimento silencioso de espécies ainda não catalogadas. Monoculturas e agrotóxicos corroem solos e contaminam águas, um efeito dominó que atinge nossos ecossistemas mais frágeis.
Entre a esperança e a urgência.
A sanção do PL da Devastação com 63 vetos estratégicos trouxe alguma luz. A LAC (Licença por Adesão e Compromisso) ficará restrita a atividades de baixo impacto. A Mata Atlântica segue protegida, a consulta a povos tradicionais está garantida, e impactos indiretos continuam sujeitos a condicionantes. Com isso, preservamos padrões nacionais de licenciamento, evitamos a “competição ambiental entre estados” e mantemos órgãos ambientais como protagonistas das decisões.
Por outro lado, o texto aprova a Licença Ambiental Especial (LAE), acelerando licenciamento para projetos “estratégicos”, como possíveis explorações na foz do Amazonas, via medida provisória.
E agora?
Esse é um momento crítico: os vetos fortaleceram a legislação ambiental, mas ainda dependem da resistência da sociedade para não serem derrubados pelo Congresso. Agir agora é essencial, antes da COP30 e enquanto nossas florestas ainda respiram.














