Estudo publicado pela The Lancet mostra que a falta de acesso à educação é responsável por 59,5% dos casos de demência no país.
Um estudo da série The Lancet Public Health sobre o Potencial para Prevenção de Demência no Brasil revelou que o fator de risco mais relevante para o desenvolvimento de Alzheimer no país é a baixa escolaridade na juventude. Segundo a pesquisa, ela está associada a 59,5% dos casos de demência registrados em território nacional.
Entre os 14 fatores de risco externos e evitáveis analisados no estudo, o mais significativo é justamente o baixo nível de educação formal no início da vida, responsável isoladamente por 9,5% do risco ajustado. Isso reforça a importância de políticas públicas voltadas para ampliação do acesso à escola, permanência estudantil e qualidade do ensino básico.
Outros fatores que influenciam o risco de demência
Além da baixa escolaridade, o estudo lista outros elementos que aumentam a probabilidade de desenvolver Alzheimer e demais formas de demência. Fatores atuam de maneira cumulativa ao longo da vida, o que reforça a necessidade de prevenção contínua e integrada. Entre eles estão:
- depressão
- inatividade física
- hipertensão
- diabetes
- obesidade
- perda auditiva
- traumatismo craniano
- colesterol elevado (LDL)
- tabagismo
- alcoolismo
- perda de visão
- poluição do ar
- isolamento social
Por que a escolaridade importa tanto?
O aprendizado, especialmente entre o nascimento e os 18 anos, é decisivo para a reserva cognitiva, capacidade do cérebro de criar conexões, adaptar-se e resistir a perdas neuronais ao longo do tempo. Jovens que passam por escolarização insuficiente tendem a desenvolver menos dessa reserva, tornando o cérebro mais vulnerável ao envelhecimento e a doenças neurodegenerativas.
Em outras palavras: quanto mais estímulo intelectual na infância e adolescência, menor o risco de demência na velhice.
O que a Geração Z (15 a 28 anos) deve observar desde cedo
A Comissão responsável pelo estudo na The Lancet destacou oito fatores-chave que jovens brasileiros precisam acompanhar já na juventude para reduzir o risco futuro:
- Manter a saúde mental (prevenção e tratamento de depressão)
- Praticar atividade física regular
- Monitorar pressão arterial
- Controlar glicemia e prevenir diabetes
- Manter alimentação equilibrada para evitar obesidade
- Proteger a audição (evitar volumes excessivos)
- Evitar tabagismo e consumo abusivo de álcool
- Cultivar vínculos sociais e evitar isolamento
Essas medidas atuam em parceria com a escolaridade para formar uma base sólida de proteção cognitiva.
O estudo reforça uma mensagem poderosa: o Alzheimer não é apenas uma doença da velhice — ele começa a ser prevenido na infância e na adolescência.
As oportunidades educacionais, somadas aos cuidados de saúde mental, física e social, são determinantes para construir um cérebro mais resistente ao longo da vida.














